Postado em: 30/09/2008


ZIRIGUIDUM LAIÁ LAIÁ


A CINQUENTENÁRIA BOSSA NOVA - PARTE FINAL


Deize Meireles



Tom Jobim - Um dos criadores da Bossa Nova


A Bossa torna-se ícone da música brasileira, como elite cultural, só no início dos anos 60.  E só se consagrou através do histórico concerto no Carnigie Hall, em NY, o que a nomeou como estilo mundial da música.  Mas, em meados da década de 60, o movimento apresentou uma fusão ideológica, que foi formada por Dori Caymmi, Edu Lobo, Marcos Valle e Francis Hime


Seria um conjunto de idéias marcadas pela visão popular e nacionalista, estimulada pelo Centro Popular de Cultura da União dos Estudantes (UNE), que fez com quê sofresse críticas de influências do Jazz e da música norte-americana sobre o movimento. Por isso, foi proposta a reaproximação da Bossa com compositores do morro, como Zé Ketti e um dos mais importantes músicos brasileiros, Carlos Lyra, e logo em seguida Cartola, Nelson Cavaquinho e João do Vale.
 
A partir dessa nova fase de releitura da Bossa Nova, chamada segunda geração, destacaram-se Pingarilho, Marcos Vasconcelos, Dori Caymmi, Nelson Motta, entre outros.  Ainda na segunda metade da década de 60, Vinícius de Moraes compôs junto com Edu Lobo a música Arrastão, o que marcou o fim do movimento.  A cantora Elis Regina a defenderia no Festival da Música Popular Brasileira.  Era o fim da Bossa e o nascimento da MPB, que trazia uma mistura de tendências desses ritmos.



O violão foi um dos instrumentos mais notáveis entre os músicos


Mas isso não significa que a Bossa tenha se extinguido totalmente do Brasil.  Ao contrário, ela retorna ainda mais forte, sendo homenageada por ícones da Música Popular Brasileira.  No mês de agosto, deste ano, esse movimento tão importante para a história musical do país foi homenageado em grande estilo.  A programação da Rádio Senado, do Ano Cultural Artur da Távola, lançou o CD da série 50 anos da Bossa Nova, além da abertura do evento, que contou com a participação de Toninho de Paula, Tico da Costa, Vanessa Pinheiro.  No mesmo mês, em São Paulo, João Gilberto encantou o público com sua apresentação no auditório Ibirapuera.  Desde 2003 que o cantor não se apresentava na Terra da Garoa.
 
A Bossa Nova é um ritmo atemporal.  Os novos artistas, que a regravam ou se inspiram no gênero, ajudam a divulgar sempre o movimento.  É um processo natural de agregar novos elementos aos que já existem, como um resgate da história.  Todos com a finalidade de manter aceso o estilo.  E assim, embora cinqüentenária, a Bossa se mantém tão nova.



Produzido pela Rádio Senado, o CD foi lançado em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova.  O CD contém programas que contam histórias do movimento e traz temas como João Gilberto “Chega de Saudade”, O verão de 64, Brigitte Bardot e a Bossa do século XXI.


 

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Postado em: 29/09/2008


CONVERSA MOLE


RINHA DE ARTISTA - O ÚLTIMO MIADO


Izabel Cabús



Quem é o Rei do infortúnio? Será o gato Tom ou Frajola?


Na Rinha de Artista dessa semana, você vai escolher o Rei das peripécias mais mal sucedidas dos desenhos animados.


Os felinos Tom e Frajola sempre se metem em apuros e em geral nunca se dão bem juntos aos seus arqui-inimigos, Jerry e Piu-piu, respectivamente.


Contamos com seu voto!  Será que veremos ratoeiras voando ou escutaremos a famosa frase: “Eu acho que vi um gatinho”?


E na comunidade do Blerg do Léo, no Orkut, já está disponível o vencedor por nocaute da luta anterior.


Avisamos que o resultado da rinha Fúria de Titãs foi prorrogada devido ao Música Tema - Heróis Japoneses.  Como o programa fica 15 dias no ar, achamos interessante manter a briga passada no mesmo tempo.  Afinal, ela foi anunciada na seção Tocando Uma.


E, impreterivelmente, na próxima segunda, confira na comu quem foi o gato vencedor.


Até lá!


 

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Postado em: 29/09/2008


ESQUADRINHO HQ


OS MELHORES DA PRISMARTE - MAIS DO QUE UM EVENTO CULTURAL DE INCENTIVO AOS QUADRINISTAS


Izabel Cabús (especial para o Esquadrinho HQ)



Para quem estava sabendo e perdeu o evento Os Melhores da Prismarte 2007 organizado pela Produtora Artística de Desenhistas Associados (PADA), não pode mais voltar no tempo - mesmo sendo possível realizar esse feito nos quadrinhos -, pois o dia 27 de setembro de 2008 já passou, e vai ficar marcado na memória dos presentes como algo único.


Digo uno, porque trouxe aos participantes reflexões relevantes sobre a importância cultural do universo dos HQ’s para o cenário econômico e social de Pernambuco.  Mostrou as nuances e relevâncias de trabalhos independentes, como o Programa Almanaque realizado pelos jornalistas Léo Peixe Santos, Leandro Lopes e Arthur Philipe, também blergueiros de plantão, que estão na batalha pela efetiva realização de um programa.



Léo Peixe e Leandro Lopes apresentam ao público o Programa Almanaque


Nas palestras, Milson Marins, um dos fundadores da Prismarte, abordou a importância da produção cooperada (cooperativismo) como uma saída para o mercado local dos quadrinhos.  E dando continuidade às apresentações, o nosso parceiro abelhudo Ronilson Araújo, nos fez repensar e matutar o mercado local, que, segundo ele, existe, só precisa, realmente de uma boa estratégia de marketing.


Seguindo com o evento, tivemos as premiações (confira a lista completa dos vencedores no Abelhudos) de Honra ao Mérito para Zenival Ferraz, muito feliz e grato por esse laurel tão significativo para quem ama a nona arte.  E, também, o não menos grato colaborador do Blerg do Léo, Leonardo Santana, com o prêmio de melhor roteirista pernambucano de 2007.  Santana aproveitou o ensejo e cutucou a mídia local pela falta de incentivo e divulgação ao trabalho de honrados guerreiros quadrinhistas, roteiristas e mantenedores da Prismarte, que alcançou 50 publicações autônomas até hoje.



Leonardo Santana, colaborador do Blerg do Léo, recebe mais um troféu de Melhor Roteirista Pernambucano


Após o evento, nomes como: José Valcir, Milson Marins, Ronilson Araújo, Zenival Ferraz, Leonardo Santana, Léo Peixe, Leandro Lopes, Arthur Philipe, entre muitos outros, mostra-nos como fazer a diferença no universo tão rico e pluralista dos HQ’s.  Essa trajetória de luta, dedicação e perseverança daria uma pela história em quadrinhos.  Vocês concordam?  Fica aqui a sugestão.  Para o alto e avante!


Saiba mais sobre o evento no Zine Brasil, de Michelle Ramos, site totalmente dedicado às HQs nacionais.



Parceiros:  Ronilson Araújo (Abelhudos), Izabel Cabús e Léo Peixe (Blerg do Léo), Arnaldo, José Valcir (Pada), Leandro Lopes (Blerg do Léo) e Milson Marins (Pada)


 

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Postado em: 26/09/2008


ZIRIGUIDUM LAIÁ LAIÁ


A CINQUENTENÁRIA BOSSA NOVA - PARTE I


Deize Meireles



Inimaginável iniciar este texto sem rememorar as histórias, os encontros e a melodia, tão elegante e suave, que memora as letras tão “subversivas” à ditadura, e, ao mesmo tempo, tão cheias de simbologias e significados.  Foi assim que a Bossa invadiu a indústria fonográfica no Brasil e conquistou o mercado internacional.  Esse movimento fincou fortes raízes na música brasileira e mostrou o jeitinho doce de expressar sentimentos no tom melódico das canções, que marcou a época e que, até então, continua encantando gerações.



O encontro de poetas da música brasileira: buscavam uma nova identidade musical para o Brasil


Desde a década de 30, a palavra Bossa surgiu em reuniões casuais promovidas entre músicos da classe média carioca, como, Nara Leão, Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal, João Gilberto, Sérgio Ricardo, Chico Feitosa, Ronaldo Bôscoli e Luiz Carlos Vinhas.  Esse movimento, advindo de universidades, pouco a pouco ocupou os bares, na boêmia Copacabana, que ficou mais conhecido como o Beco das Garrafas.



A musa da Bossa, Nara Leão


A Bossa Nova surge, oficialmente, em 1958 com o lançamento de um compacto do baiano João Gilberto, uma parceria entre Tom Jobim e Vinícius de Moraes.  Uma das faixas do disco continha a canção Chega de Saudade...Vai minha tristeza, e diz a ela que sem ela não pode ser, diz-lhe, numa prece, que ela regresse, porque eu não posso mais sofrer. Chega de saudade...”.  Ah! Chega de saudade... Essa deveria ter sido a época mais expressiva da nossa música... Continuando, outra característica que dá origem ao início do movimento é a integração da voz e do violão e a utilização de poucos instrumentos no palco.  Além da maneira dos músicos cantarem as músicas do estilo com a tendência de falar baixinho ou fazer o canto-falado, que substituiu a voz em tons mais altos, dos cantores da época.
 
A partir de todos esses acontecimentos, a Bossa se tornou realidade. Garota de Ipanema, de Tom Jobim, outra importante canção do movimento, tornou-se a música brasileira mais conhecida internacionalmente, principalmente nos países norte-americanos: “Olha que coisa mais linda... mais cheia de graça... um doce balanço... ziringuidum... laiá...laiá.” e, em seguida, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso... “Brasil..meu Brasil brasileiro, meu mulato izoneiro. Vou cantar-te nos meus versos. Ô Brasil, samba que dá bamboleio, que faz gingar. Ô Brasil do meu amor, Terra de nosso Senhor...”.  Todos esses arranjos e harmonias são definidos como um marco da mistura de ritmos da Bossa.


Na próxima semana, saiba como o ritmo tornou-se um marco na história da musica brasileira. 



O baiano João Gilberto e o seu inseparável violão


 

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Postado em: 25/09/2008


ESQUADRINHO HQ


POBRE PETER PARKER - A HUMILHAÇÃO FINAL


Léo Peixe



Nas últimas três semanas acompanhamos a via crucis de Peter Parker rumo a vergonha total no mundo POP.  Começamos com a famigerada série de TV setentista, passamos pelo tokusatsu nipônico, depois conhecemos os amiguinhos do aranha.  Para finalizar, vamos à crucificação.


Das vezes anteriores, descobrimos que a culpada pela humilhação foi a empresa responsável pelo herói, a Marvel Comics.  Mas agora, o Homem-Aranha paga o preço da fama.


O dedo de acusação aponta para os réus que vão de banda de axé até ícone da MPB.  Os fãs do amigão da vizinhança resolveram “homenagear” o seu ídolo com o que fazem de melhor:  música.


Porém, nosso sofrido herói pagou o pato mais uma vez...



KUARTO DE EMPREGADA – HOMEM-ARANHA


Calma! O Cabeça de Teia não estava traindo a sua esposa com a empregada.  Na verdade, seria o contrário.  Não se desespere que eu explico.  A música é um xaveco da banda Kuarto de Empregada com Mary Jane.


Prepare-se para versos “bem” elaborados como “teia nela, teia nela...(e repete-se quase infinitamente)” e “Mary Jane deixa eu ser o seu Homem-Aranha(...)sei que você me ama não me engana”.


E para a vergonha ser maior, a "música" foi regravada pela banda Sem Razão.  Também não vejo razão para tal feito.


Confira toda a “criatividade” da banda de axé Kuarto de Empregada no vídeo abaixo (se tiver coragem):








JOTA QUEST – TEMA DO HOMEM-ARANHA


Jota Quest foi uma das bandas de pop rock mais inventivas da década de 90.  A mistura de funk (o raíz e não o carioca) com pop tinha como resultado uma batida swingada.  Mas o grupo entrou em crise criativa.


E foi na má fase que eles foram convidados para gravar a música tema do Homem-Aranha, que foi incluída na trilha sonora nacional do segundo filme do herói.


O resultado foi isso que está no vídeo abaixo feito pelo pessoal do site Melhores do Mundo:








JORGE VERCÍLO – HOMEM-ARANHA


Pois é, nem a MPB poupou Peter Parker.  Jorge Vercílo aproveitou o sucesso do primeiro filme do herói da Marvel e lançou o hit Homem-Aranha que foi bastante executado nas rádios.


O pupilo de Djavan tentar dar um tratamento cotidiano ao mascarado, mostrando que Peter deixou de ser o escalador de paredes para agüentar “o peso das compras do mês” ou subir “no telhado” para ajeitar “a antena da TV”.


Para piorar a situação, ainda diz que o personagem está no Brasil!  A prova está nos versos “Chega de assalto pra impedir / Seja em Brasília ou aqui”.  Tenho pena do Aranha na capital brasileira.  Há políticos mais melindrosos que o Sexteto Sinistro reunido.


Vejam em que deu esta viagem alucinante (no sentido entorpecente da palavra) de Jorge Vercílo:





É isso, amigos!  Por enquanto, aqui acaba o lado negro da peregrinação do jovem Peter Parker no show buzz.  Digo isso até que os executivos da Marvel ou fãs desajustados resolvem colocar o nosso querido herói em mais uma roubada...


 

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Postado em: 24/09/2008


NA TRILHA DO TRAILER


TRIBUTO À MAYSA


Arthur Philipe



A atriz Marissa Maciel viverá a cantora Maysa na minisérie global


Nem Ana Paula Arósio e nem Viviane Pasmanter, a incumbência de viver o papel da cantora Maysa na TV ficou à cargo da atriz, Larissa Maciel, 30 anos, que atua no teatro e na teledramaturgia desde 1996.  Ela foi escolhida entre 200 candidatas, além das já conhecidas atrizes citadas.


Os autores Manoel Carlos e Jayme Monjardim queriam um rosto novo, alguém que personificasse Maysa como quem tivesse nascido para o papel.  Larissa se diz empolgada com o projeto do qual está estudando meticulosamente, ouvindo discos, CD’s, tendo aulas de canto,  apesar de que na minissérie ouviremos a voz da cantora.  Além de dublar, ela terá de mostrar a postura de como se estivesse realmente cantando com as expressões tão características de Maysa.



Maysa? Não! Essa é a Larissa caracterizada como a cantora


O seriado promete discernir a vida da cantora tanto como a intérprete, como a mulher as voltas com problemas no alcoolismo, viciada em afetaminas e seus romances explorados pela mídia, como o que teve com o jornalista e compositor, co-autor de O Barquinho, Ronaldo Bôscoli.  Este era namorado da, também cantora, Nara Leão na época.   A minissérie vai ao ar em janeiro de 2009 pela Rede Globo.


A boa e velha dor de cotovêlo


Foi um Clarão de Beleza, Sua luz Permanece” assim disse o romancista baiano Jorge Amado sobre a cantora Maysa Matarazzo, ou simplesmente Maysa.  A cantora de voz grave, interpretação derramada e o mais belo par de olhos azuis da MPB, influenciou cantoras como Elis Regina (de quem, dizem, ter tido uma certa rivalidade), Maria Bethânia, e outras divas.


Até mesmo Renato Russo, da banda Legião Urbana, um pouco antes de morrer tinha um projeto de regravá-la e morreu sem concretizar o desejo.  Mais que uma cantora de rádio, Maysa foi símbolo das mudanças feministas daquela época, final da década de 50, quando o moralismo das classes sociais abastadas, via com maus olhos, a mulher desquitada, cantora de rádio e dona do seu próprio nariz.



Maysa, a original


Tudo isso era Maysa, que como preço por essas atitudes, foi muito criticada pela mídia.  Enfim, sobressaiu-se a artista, a compositora, a voz.  Suas canções ecoam até hoje embalando os sofredores da temida dor de cotovelo.  Alguns críticos a batizaram de “A cantora da fossa” por considerarem o repertório da cantora como melancólico demais.


Mas inegavelmente são pérolas, clássicos do cancioneiro brasileiro como Ouça, Meu mundo caiu, Marcada além de ser uma grande intérprete da música internacional com Un Jour Tu Verras, Just in Time (sucesso nas vozes de Tony Bennett, Judy Garland e Dean Martin), Get out of Town (de Cole Porter), Uska Dara (canção tradicional russa) e o indefectível lamento de amor Ne Me Quite Pas (de Jacques Brel) sucesso na minissérie da Globo Presença de Anita.


Ouvir Maysa é a certeza de ouvir uma cantora que canta o amor doído, desesperado de uma forma honesta e elegante.  Poucas o fizeram tão bem.  Maysa não sai de moda, assim como as canções doloridas, assim como o amor não correspondido.


 

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Postado em: 23/09/2008


PINTA COM'EU PINTO ?


NO MUNDO DA ABSTRAÇÃO


Felipe Ferreira


Olá, olá, olá!


Hoje inauguro o primeiro post sobre artistas gráficos, escolhi o termo artistas gráficos porque se colocasse só artista estaria considerando que os fotógrafos aqui já citados não fariam parte dessa categoria, então achei melhor subdividir.  Em bom português: vamos falar de pintores.  E começarei por um revolucionário.


A primeira vez que vi um trabalho desse indivíduo disse:


- Kandinsky? Que diabos é isso? O nome é legal!



(Moscovo I 1916)


Parecia-me um monte de traços sem nexo, um desenho infantil e sem sentido, um desenho que qualquer criança de 05 anos faria tão belo quanto, olharia para você e perguntaria:  Tá bonito?


Após ler um pouco mais, descobri que o russo Wassily Kandinsky foi o pioneiro no abstracionismo, o primeiro camarada a passar sua visão em representação não pictórica.


Kandinsky mergulhava em seus sentimentos e reflexões e passava para as telas suas impressões e reflexões do mundo.  Utilizava cores fortes com alto contraste e formas simples.   Arrisco-me em dizer que é um pioneiro no design gráfico, visto que balanceia sua composição, harmoniza os pesos ou direciona o olhar.


Olhando a obra inteira do artista podemos notar sua busca pela abstração.



No quadro Moscovo I (1916), ainda encontramos elementos do mundo visível.  Já na obra intitulada Transverse Line (1923) esses elementos desaparecem dando lugar ao abstracionismo puro.



(Transverse Line 1923)


Em vida, Wassily foi professor da Bauhaus (tema que merecerá um outro post) e contribui com o pensamento artístico através de várias publicações.


Em português podemos encontrar obras como Gramática da Criação; Ponto, Linha, Plano; Curso da Bauhaus e O Futuro da Pintura.



O melhor foi ler as palavras de Kandinsky dizendo que num belo dia um sujeito disse-lhe que seu filho fazia desenhos tão coloridos e sem sentido como os dele.  E nosso artista, estudioso da arte, escritor de diversos livros respondeu:  Eu estudei vários anos para conseguir tal representação.


Pobre pai, não conseguia enxergar a mudança de paradigma proposta por Kandinsky, que, sem dúvida, foi um dos maiores pintores do século passado. Ao menos dessa mancada eu escapei!


E vai, vai, vai que eu já voltei.


 

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Postado em: 22/09/2008


SOMZEIRA


THE OFFSPRING - A REGULARIDADE MUSICAL DO NOVO ÁLBUM


Izabel Cabús



Rise and Fall, Rage and Grace é o menos significativo trabalho da banda


O CD Rise and Fall, Rage and Grace lançado em junho de 2008 pela gravadora Columbia Records, é uma inovação da banda estadunidense The Offspring, mas que não será grande sucesso, infelizmente.


Afirmo, categoricamente, que o fresco (no sentido de novo) álbum não empolga até mesmo os fãs de carteirinha da banda tão popular na terra do tio Sam.   Por que, mesmos bem intencionados, a musicalidade é regular.


Pode-se perceber claramente como a primeira música do disco, intitulada Half Truism, foi influenciada pela sonoridade da banda, também Americana do Norte, My Chemical Romance (será que Offspring pegou carona na onda Emo?).


E essa falta de semelhança com o som muito característico da banda é percebida quase que constantemente nas canções que seguem, como You’re Gonna Go Far Kid (faixa 3), A Lot Like Me (faixa 5), Nothingtown (faixa 8) e Let’s Hear If For Rock Bottom (faixa 11).  Mesmo criativamente regular, em todas essas músicas, há algo para se apreciar.


As faixas 7 e 10, respectivamente, Kristy, Are You Doing Ok? e Fix You estão em consonância completa com a banda Green Day e sua atual sonoridade.  Green Day, por coincidência ou não, é outra banda que faz bastante sucesso nos Estados Unidos da América.  E deve ter sido outra fonte de inspiração.


Rise and Fall, Rage and Grace se torna concretamente The Offspring em Hammerhead (faixa 4), Take Me Nowhere (faixa 6), Stuff Is Messed Up (faixa 9), Rise and Fall (faixa 12), e por fim, a mais significativa de todas, pois é a musicalidade da banda na veia, a segunda faixa Trust In You.  Escutá-la é, sem escapatória, relembrar dos antigos sucessos, como Genocide do título Smash, entre outros.


Mesmo com todos os contratempos, temos que deixar claro que o lado criativo da banda não morreu, só está apenas enferrujado precisando urgente de um óleo lubrificante para deslanchar novamente no mercado fonográfico.



Nota do editor:  A banda fará dois shows já confirmados aqui no Brasil.  No dia 08 de novembro The Offspring estará em São Paulo, no Planeta Terra Festival.  No dia seguinte o punk rock de Dexter & Cia estará no festival Pop Rock Brasil, em Belo Horizonte.  The Offspring fará mais alguns show nas terras tupiniquins, mais ainda falta confirmar os locais.


 

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Postado em: 22/09/2008


CONVERSA MOLE


CONCORRA A INGRESSOS PARA HELLBOY II [ATUALIZADO]


Léo Peixe



Tá afim de ganhar um par de ingressos para o filme "Hellboy II - O Exército Dourado"?

Basta acessar o tópico "Concurso Cultural - Participe" da comunidade do Blerg do Léo e responder com criatividade:

"O que você faria se fosse um(a) garoto(a) do inferno?"

As três melhores respostas ganham um par de convites para o filme!

Lembre-se de deixar a resposta, o seu nome e endereço de email!

O sorteio será no dia 28/09/08.

Promoção válida apenas para os membros da Comunidade Blerg do Léo


[Atualização]Foi aberta a participação de membros da comunidade de outras cidades e estados[fim da atualização]

Participe!


 

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Postado em: 20/09/2008


VERSOS DE BAR


OS PEQUENOS POEMAS DE BAUDELAIRE


André Espínola



Charles Baudelaire


Mais um da seção Pra se Tomar Uma.  Ao ouvir falar de Charles Baudelaire, a primeira coisa que vem a mente é:  Flores do Mal, do poeta maldito, ou até mesmo recordam-se do tratado poético-científico sobre o haxixe, ópio e vinho no livro Paraísos Artificiais


Infelizmente, a obra desse grande poeta francês não é muito extensa, o que em momento nenhum diminui sua importância e, sobretudo, genialidade.  Não quero falar aqui sobre os clássicos e surpreendentes poemas Les fleurs du mal, nem sobre as experiências descritas nos “Paraísos”.


Abstenho-me a falar aqui de uma obra desse grande nome da literatura mundial que, muitas vezes, é deixada em segundo plano e que acredito que chegue a nivelar em termos de qualidade com o livro Flores do Mal, que é, por sinal, uma verdadeira obra-prima.  Falo de Pequenos poemas em prosa, inicialmente chamado pelo próprio poeta de Le Spleen de Paris, título que, por sinal, seria bem condizente com o conteúdo, já que a expressão significa melancolia, depressão nervosa, irritação, mau humor.


O livro se trata de pequenos textos em prosa, ou pequenos contos, com elementos poéticos, ainda que não sejam a rima e o ritmo.  Segundo o próprio poeta: “Qual de nós, em seus dias de ambição, não sonhou com o milagre de uma prosa poética, musical, sem ritmo e sem rima, bastante maleável e bastante rica de contrastes para se adaptar aos movimentos líricos da alma, às ondulações do devaneio, aos sobressaltos da consciência?” Quem? E eu ainda digo:  Charles Baudelaire.
 



Pequenos Poemas em Prosa


Isso porque com esse livro, Baudelaire foi batizado como criador dessa prosa cheia de poesia, ou poesia cheia de prosa.  Cada texto é uma surpresa, uma maravilha e, até mesmo, uma nova faceta do poeta que, talvez, nos seus poemas propriamente ditos ele não tenha conseguido demonstrar, como, por exemplo, no texto O Bolo, que mostra uma sensibilidade incrível ao encarar frente a frente toda a beleza do mundo com a miséria humana, onde após um enternecimento do autor diante de um magnífico cenário paisagístico, dois mendigos tidos por irmão pela igualdade da situação, quase se matam para disputar um pedaço de pão.  No final ele fala:  "Existe um soberbo país onde o pão se chama bolo, guloseima tão rara que é suficiente para engendrar uma guerra perfeitamente fratricida”.


Esse e alguns de outros textos mostram certa tristeza em relação à condição social humana, miserável e frágil como um pedaço de pão.  Outras abordam a solidão contemplativa ou a sina do poeta de observador do mundo e das pessoas ao seu redor, a insignificância na relação com a eternidade, com as horas, com o tempo e até mesmo algumas particularidades da vida parisiense da época, sempre com um sarcasmo lírico impressionante.  Muitos textos também tratam da relação conturbada que o poeta teve com a sua amante mulata Jeanne Duval, ora apaixonado, ora melancólico, resignado, frustrado.


Em nenhum momento Pequenos poemas em prosa fica devendo algo a Flores do Mal, até porque os dois tratam basicamente a mesma coisa. “O estudo do belo é um duelo em que o artista grita de medo antes de ser vencido”. E quando esse estudo é feito por um gênio como Baudelaire, o resultado não poderia ser outro.


Para finalizar, um texto retirado do livro e que eu acho que define perfeitamente a alma de um poeta:


O EXTRANGEIRO


- Diga, homem enigmático, de quem gosta mais? De seu pai, de sua mãe, de sua irmã ou de seu irmão?
- Não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.
- Amigos?
- Você usa de palavras cujo sentido até aqui desconheço.
- Pátria?
- Ignoro a que latitude se situa.
- Beleza?
- Deusa e imortal, de bom grado a amaria.
- O ouro?
- Odeio-o como você odeia a Deus.
- Mas que gosta então, estrangeiro extraordinário?
- Das nuvens... as nuvens que passam... lá longe... lá longe... as maravilhosas nuvens!


Charles Baudelaire


 

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